No próximo dia 6 de fevereiro acontecerá em Las Vegas o UFC 126, trazendo como luta principal a disputa do cinturão dos médios entre os brasileiros Anderson Silva e Vitor Belfort.
Isso todo mundo sabe.
O que não é de entendimento geral, porém, é a importância dessa luta para a organização e o esporte como um todo.
Anderson “The Spider” Silva está invicto há mais de 5 anos, tendo como sua última “derrota” uma desclassificação para Yushin Okami devido a um chute ilegal, no antigo Rumble on the Rock. E por mais que afirmem não haver expressão em seus oponentes, é inegável que todos os recordes de vitórias e defesas de título consecutivas do UFC são dele.
Belfor, por outro lado, enfrenta há muito tempo altos e baixos em sua carreira, que incluem: lesões, afastamento por uso de substâncias proibidas e o trágico desaparecimento de sua irmã. A última vez que o vimos dentro de um cage foi há 23 UFCs atrás, quando derrotou Rich Franklin por TKO ainda no primeiro round.
Este confronto representa muito mais para o UFC do que se imagina: Com a categoria limpa e alternando de modo muito infeliz entre batalhas épicas e apresentações mornas, Anderson Silva tornou-se um coringa muito incômodo para o baralho de Dana White. Vendo as chamadas e comentários dos envolvidos, é inegável a vontade de ver Spider sem a cinta.
Explico: É interessante para o UFC que a categoria ande e venda novos combates, o que não estão ocorrendo com Silva no poder há tantos anos. Sua superioridade técnica, o que poderia ser algo louvável, traz um retorno estranho, como visto em Abu Dhabi contra Demian Maia, luta dominada, mas não finalizada pelo campeão.
Ainda assim acredito em uma vitória de Silva. Caso Belfort não consiga pará-lo no primeiro round, será muito difícil que o faça nos próximos, principalmente vindo de um período tão grande de inatividade. O boxe de Vitor contra o Muay Thai de Anderson será uma batalha de gigantes, mas ainda acredito na superioridade e nos joelhos do Spider. Talvez não para um nocaute, mas para mais uma decisão dos juízes.
No improvável evento de uma luta no chão, ambos estão em igualdade com faixas pretas de Jiu Jitsu, mas nunca provaram ser grandes representantes da arte suave. Não creio que qualquer um dará preferência para uma finalização neste confronto.
Caso a previsão se concretize, não haverão mais oponentes na Middlewiehgt para Anderson Silva tratorizar. A pressão externa, tanto dos cartolas, como dos fãs, para uma mudança definitiva para a categoria de cima, infinitamente mais disputada, devem começar a fazer a cabeça do temido Spider.
Ainda que “aposente” seu cinturão, Anderson entrará em um páreo duro para decidir quem é o melhor Médio de todos os tempos, enfrentando nomes como Wanderlei Silva e Sakuraba, mas a poderosa máquina midiática do UFC e seu fim de carreira sem decaídas devem decidir a seu favor.
Volta ao topo
Outra batalha interessante neste UFC será a dos Ex-campeões Rich Franklin e Forrest Griffin. Ambos com vitórias no UFC 115 e 106, respectivamente.
Apesar dos últimos resultados favoráveis, faz tempo que os dois não são considerados top contenders da categoria, levando em conta que Franklin subiu depois de perceber que jamais derrotaria Anderson nos médios.
Difícil apontar o vencedor desta luta, já que são atletas parecidos: Bons como um todo, mas sem nenhuma excelência. Rich Franklin deve vencer caso consiga impor seu ritmo de luta, já que ultimamente Forrest apenas aceita os ataques de seu adversário tentando não perder. As vezes ele consegue, as vezes não, vide UFC 101 e sua humilhante derrota para Anderson Silva.
Ao vencedor o privilégio de entrar no intricado bolo pela luta do cinturão até 93kg. Ao perdedor, o castigo de ser um eterno “escada” na categoria.
Vitória: UFC
Dois jovens lutadores estão tendo suas carreiras cuidadosamente construídas pelo UFC a fim de se tornarem novos ídolos dos Meio-Pesados.
Um deles está invicto em 12 lutas, conta com um impecável wrestling e mãos pesadíssimas. O outro também.
Ryan Bader venceu o TUF 8 sob o comando da lenda brasileira Rodrigo Minotauro. De lá para cá conseguiu 4 vitórias, mas apenas um KO contra o já quase aposentado Keith Jardine. É um mestre das quedas, mas apesar do bom boxe não consegue finalizar muito bem a luta no solo.
Jon Jones, por outro lado, já foi desclassificado por usar de cotoveladas ilegais contra Matt Hamill, mas quem assistiu sabe que aquela luta estava ganha. Teria o mesmo fim das duas seguintes: Vitória por TKO no primeiro round. Ground N Pound de primeira linha.
Ainda que tenham um jogo muito parecido, a balança pesa para o lado de Jon Jones por sua incrível habilidade de acabar as lutas após o takedown e pela imensa criatividade dos golpes, como falei no twitter: O segredo das artes marciais é atacar por onde seu oponente não saiba defender.
Com a maior envergadura do UFC não será tão difícil manter Bader longe até a hora do possível bote, que geralmente é fatal.
A vitória maior desta luta, porém, é da organização. Com uma visível equivalência técnica, a categoria dos meio pesados passa seu cinturão como se fosse uma pesada batata quente. Criar um novo campeão americano, possivelmente invicto, no torneio mais disputado do UFC vai vender como nunca. Jones ou Bader? Tanto faz, o importante é que não acabe empate.
O UFC 126 será exibido às 01 AM pelo canal pago Combate, mas quem não é assinante sempre pode contar com o Sopctast ,TVU, ou o Sancanight. Outros links para streaming e canais estão disponíveis no Orkut.
Taila
janeiro 24, 2011
quero ver the spider sair do comodismo e lutar com gente do tamanho dele =P na verdade, queria ver ele apanhar so dessa vez ….