Pirataria Sustentável

Publicado em janeiro 13, 2011

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Não é de hoje que escrevo em blogs. Também não é de hoje que escrevo sobre pirataria e produtos "alternativos". Os textos anteriores podem ser lidos no EntrelinhaZ e no Nerdshots.

Para quem não vai clicar nos links aí vai um resumo: Apoio a pirataria.

 

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Apoio com alguns poréns.

No primeiro post explico o quanto minha cultura agradece à internet, e principalmente a pirataria, no segundo o quanto o descaso das indústrias pode influenciar para o consumo paralelo. Neste terceiro, que fecha a trilogia começada há anos e blogs atrás explico um pouco da pirataria sustentável, aquela que tento aplicar atualmente.

Todos os dias somos bombardeados por Gigabytes de informação na internet. Aquela série nerd que vaza as quintas, o cd novo de sua banda preferida que apareceu no torrent, ou o novo filme em DVDrip. Com a realidade da classe média brasileira é impossível se manter atualizado com a cultura pop sem deixar de pôr arroz na mesa. Ninguém consegue ver todos os filmes no cinema, comprar os CDs, ir à banca atrás dos quadrinhos, etc. Falta sempre alguma coisa. O recurso primevo neste caso, pelo menos para o mundo que faço parte, é a internet. As atualizações sempre estão lá em algum codec xvid ou formato cbr.

Sim, como já disse, considero a pirataria uma das formas mais válidas de crescimento intelectual. O problema acontece, porém, quando os downloads transpassam esse limite do conhecer e começam a virar abuso.

É como pedir uma prova na sorveteria. Se todos pedirem vinte testes ao invés de comprar o sorvete, o lugar vai à falência. Alguém sempre paga o preço.

 

sorvete

 

A solução? Pirataria Sustentável.

Defendo, sobre todas as coisas, o uso da internet para busca e conhecimento de novas formas de mídia, defendo o uso da internet como forma de burlar as imposições ridículas e o desrespeito impostos por canais pagos de TV, mas, além disso, defendo a compra do material que nos agrada.

O que é muito diferente de comprar ou revender produtos piratas. Esta prática apenas se apropria do trabalho de terceiro para ganho fácil, mas já é outra história completamente diferente. Divago.

Mesmo antes de ter um emprego e um pouquinho mais de dinheiro, fazia sempre minhas economias para comprar alguns quadrinhos, livros, etc. Hoje em dia, com algumas pequenas mudanças financeiras, encabeço um projeto ainda maior.

Pretendo comprar, assim devagarzinho, grande parte do que já peguei pela internet e gostei. É isto que chamo de pirataria sustentável, a busca de material grátis, mas ainda pagar pelo que merece.

Sei que pode parecer estranho pagar por algo que já se consumiu, como um filme já visto, mas esta prática, além de movimentar a indústria, começa a criar uma bela coleção dos seus itens preferidos. Uma releitura da mídia por meios oficiais acaba por ser às vezes ainda mais prazerosa do que aquela fornecida pela internet.

In felizmente este conceito de pirataria sustentável ainda é longe do ideal. Seria muito melhor, claro, possuir todos os filmes em DVD, todos os jogos de videogame com lindas caixinhas verdes e manuais, mas lembrem-se, ainda moramos no Brasil.

É notório também, que neste país de samba, futebol e jeitinho de malandro, muita gente não se importa e nem pretende começar a se importar, quem tem internet vai baixar tudo que puder até o HD estourar, quem não tem vai ao camelô da esquina pagar R$ 2,00 por qualquer cópia nojenta de Dexter que muitas vezes algum conhecido seu ajudou a legendar… de graça.

No final das contas, galera, o sorvete acaba e alguém sempre paga o preço.

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Publicado em: Cotidiano